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Cidades Consciência Negra

Especial Dia da Consciência Negra

Homenagem da Proxxima Telecom

20/11/2021 às 21h00
Por: Sidney Silva
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Especial Dia da Consciência Negra

Dia da Consciência Negra. Uma data instituída em 2011 em todo o Brasil, tendo sido criada muito antes, em 1971, pelo Grupo Palmares, de Porto Alegre; um povo que representa mais de 50% dos índices da população geral do Brasil, considerado o país com o maior índice de negros fora do continente africano; uma luta que se estende por mais de cinco séculos, em busca de maiores reconhecimentos e combates a ideias pré-concebidas que em muito prejudicam o dia a dia dos negros, pardos e pretos. Grandes inspirações brotam do exemplo de vida de uma catadora de lixo em busca de sobrevivência na periferia de São Paulo que fez seus escritos circularem por todo o mundo, de um líder político sul-africano que combateu a duros golpes a segregação racial entre negros e brancos em seu país, de um jovem que, com a força dos pés, tornou o futebol brasileiro conhecido a olhos estrangeiros, de um quilombola disposto a ser resistência e a lutar pela liberdade do seu povo. Carolina Maria de Jesus, Nelson Mandela, Pelé, Zumbi dos Palmares e tantos outros revelam, sobre a melanina de suas peles e nas batidas do coração, a força do povo negro.

Amanda Silva, Jonas Soriano e Iara Freitas

“Eu nasci de um casal interrracial. Minha mãe é loira, branca, de olhos azuis, e meu pai é negro. Sendo que eu fui criança e bombardeada de estímulos visuais em que tudo é branco: os atores, os modelos, os artistas, personagens de desenho, tudo”, diz Iara Freitas, 27. As mãos da estudante de psicologia tocam as suas tranças rosas e ela, com alegria, pontua: “Na empresa Proxxima, eu tenho a liberdade de usar o cabelo que eu quiser”. Diariamente Iara segue ao posto de recepcionista na sede da Proxxima Telecom, em Campina Grande/PB. Ela faz o seu caminho alcançar novas direções a cada amanhecer. Caminho de pegadas deixadas nas lembranças do passado, nas conquistas do presente e nas promessas do futuro. Caminho estruturado pela consciência histórica e cultural de uma identidade afrodescendente, de uma raíz que une Iara a milhões de semelhantes, de uma força de viver que brota dos fatos positivos e negativos da convivência social e de uma desigualdade exorbitante em todos os âmbitos. Iara já perdeu as contas de quantas foram as vezes em que passou por casos de discriminação racial, mas o mais recente deixou profundas reflexões no coração da futura psicóloga. Era o emprego anterior ao que atua hoje.

“A cliente chegou até mim e disse que eu tinha cara de qualquer outra profissão, menos a que eu tinha no momento e eu disse: ‘Ainda bem que cargos são ocupados por competência, por capacidade, não por cara’”. Em contraste ao que foi vivido, o coração de Iara pulsa com mais intensidade ao recordar-se da sessão fotográfica em que participou a convite de uma profissional que buscou enaltecer a beleza da mulher negra, baseando-se em um dos álbuns da cantora Beyoncé. “Eu aceitei, as fotos ficaram incríveis, e quando a gente postou nas redes sociais eu fui bombardeada de mensagens de meninas, de adolescentes negras que se intitularam ali representadas, de certa forma, e foi incrível ver que eu estava sendo alvo de referência para essas adolescentes. Eu fiquei imensamente grata e feliz, foi muito bom ter essa sensação de estar inspirando alguém, por ser quem eu sou”, pontua Iara.

 

No setor de Marketing da Proxxima Telecom, Jonas Soriano, 28, busca cumprir todas as pautas do dia. Enquanto social media, planeja, prepara legendas, realiza postagens e carrega no peito talentos e competências infinitos. No término do curso em Publicidade e Propaganda em uma faculdade particular de Campina Grande/PB, o seu Trabalho de Conclusão analisou a atuação de pessoas negras no campo da publicidade. “É de suma importância trabalhar em uma empresa como a Proxxima, que nos dá voz, abrindo e mostrando a realidade das pessoas pretas como profissionais brilhantes numa sociedade que não nos dá direito à igualdade. Esse dia é mais um dia de luta para todos nós”, sublinha o paraibano.

O corpo de alunos do curso de Economia de uma universidade pública de Pernambuco registra a presença de Amanda Silva, 25, preta e de origem humilde, criada nas terras de Lajedo, no interior pernambucano. As aulas ocorrem de forma remota, o que em muito a ajuda a fixar-se em Campina Grande/PB, onde atua como analista financeira na sede da Proxxima Telecom.

 

Os tipos de racismo velado, ou mesmo escancarado, são bastante nítidos aos olhos da pernambucana, que relata já ter escutado frases como: “Que negra linda!”, “Você é negra mas tem os traços finos”, “Seu cabelo é fofo, é macio”. Esses mesmos olhos constantemente veem os que se esquivam de pessoas negras, os que escondem objetivos na presença de um preto, os que implementam estigmas, os que dizem não ser possível, os que subestimam, os que agridem, e então afirma que o racismo pode, sim, matar, como o caso ocorrido com George Floyd, afro-americano assassinado em maio de 2020 por um policial.

 

“Já sofri racismo de alguém próximo a mim querer me agredir por causa da minha cor. Na época, eu não tinha consciência negra, digamos assim. Eu não dava valor à minha cor, eu não amava as minhas raízes. Isso me machucou na época. Também já chegaram meninas jovens, adolescentes, e disseram: ‘Você me inspira! Você pode me dar algumas dicas a respeito de cabelo crespo, que eu tô num processo de transição?’. Isso é muito gratificante. Ou seja, uma luta que eu venci tá servindo como espelho para outras pessoas”, e assim Amanda sublinha que sempre defenderá as suas raízes, a sua história e a sua posição no mundo.

 

É buscando vencer diariamente as pedras que surgem pelo caminho que Amanda alcançou significantes passos, caminho que a levou ao Ensino Superior e ao trabalho na sede da Proxxima, mostrando que muitas foram as estradas percorridas e muitas outras faltam para que a melhoria chegue ao mundo, através da valorização da pessoa negra, do respeito, de políticas públicas, da segurança, de maiores oportunidades no mercado de trabalho e da Educação.

 

“A população grita. Um negro morre a cada 23 segundos no mundo. Isso é muito preocupante. Desejo que todo mundo pesquise; a internet tá cheia de informação. Tem muito racismo velado, muita gente que não sabe que é racista. Não sair por aí falando qualquer coisa. Tem gente que acha que é piada você falar coisas com preto. Piada pra quem? E que nós lutemos! Se nós abaixarmos a cabeça, nós só vamos ser coniventes, e isso vai durar. A gente tem que lutar contra, sempre”, afirma. Iara, Jonas e Amanda trazem em suas falas a necessidade de a identidade negra receber aceitação por completo no ambiente de trabalho, em combate às manifestações de preconceitos velados, acolhendo o outro sem interferências em sua identidade. Ambos também destacam uma palavra no caminho de suas histórias de vida: resistência. “Ser preto, na sociedade brasileira, já é uma questão de resistência. Viver em uma sociedade que pratica o racismo de forma velada é doloroso e precisa ser combatido e é necessário ser abordado em vários âmbitos sociais. O Dia da Consciência Negra é totalmente importante para dar visibilidade à inclusão e espaço de fala diante da realidade”, expressa Jonas.

 

Iara ressalta a importância do Dia da Consciência Negra para a reflexão e o levantamento de pautas, sobretudo para a inserção da pessoa negra no mercado de trabalho. “O meu cabelo, a minha pele preta é o meu manto de coragem e resistência. Então se tem uma coisa que me representa por ser mulher e negra é a resistência. A representatividade é extremamente importante. Apesar de tanto tempo, o cabelo afro-natural ainda encontra discriminação. Por isso existem grupos com iniciativas que valorizam a beleza do cabelo crespíssimo e, consequentemente, da beleza negra, o empoderamento negro. Somos resistência! Vidas negras importam!”, enfatiza.

 

O aplicativo de streaming Paramount Plus, que está disponível aos assinantes dos planos de internet da Proxxima Telecom, oferece boas indicações de filmes para se refletir sobre o Dia da Consciência Negra. Alguns destes são: Mandela: O Caminho Para a Liberdade e Marshall: Igualdade e Justiça.

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