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50 mil mortos

Brasil chega a marca de 50 mil mortos pelo o Coronavírus

Até as 20h deste sábado (20), a Covid-19 matou 50.058 pessoas no Brasil e mais de 1 milhão de pessoas contraíram a doença

20/06/2020 21h59
Por: Sidney Silva
Fonte: uol
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O Brasil atingiu neste sábado (20) a marca de 50 mil mortes em decorrência da Covid-19, inédita entre todos os países do mundo exceto os Estados Unidos.

Da morte do porteiro Manoel Messias Freitas Filho em São Paulo, primeira vítima da doença, ao momento em que os mortos oficialmente atribuídos ao novo coronavírus são suficientes para lotar o estádio do Corinthians, em Itaquera, passaram três meses e quatro dias. É como se, em menos de cem dias, toda a população de Campos do Jordão (SP) sumisse.

Até as 20h deste sábado (20), a Covid-19 matou 50.058 pessoas no Brasil e mais de 1 milhão de pessoas contraíram a doença. Nas últimas 24 horas, foram registrados 968 mortes e 30.972 novos casos. Os dados foram aferidos pelo consórcio jornalístico integrado por Folha, G1, O Globo, Extra, Estadão e UOL com as secretarias de Saúde estaduais.

Como se tratam só de casos registrados e há gargalos na testagem e na certificação das causas, além de indícios de subnotificação, o número provável de vítimas é maior.

A evolução letal no Brasil é mais lenta do que a ocorrida nos EUA, onde a marca de 50 mil mortes foi alcançada em 55 dias após o primeiro óbito.

Mas a curva americana de vítimas, que só recentemente perdeu fôlego, é a que mais se assemelha à brasileira. Juntos, os países respondem por mais de um terço (37%) dos óbitos da doença no mundo, ainda que perfaçam menos de 7% da população global.

Embora no Brasil a Covid se interiorize rapidamente, arriscando uma calamidade ainda maior em rincões do país onde a rede de saúde é mais deficitária, o Sudeste e o Nordeste respondem por três quartos dos mais de 1,04 milhão de casos e dos 50 mil mortos. Em São Paulo, estado mais populoso do país, mais de 210 mil adoeceram —metade deles na capital— e mais de 12 mil morreram. No Rio de Janeiro, já são quase 100 mil casos e 9.000 mortos.

Consideradas as populações, a Covid-19 se mostrou muito mais letal no Norte, onde a incidência chegou a 1.099 para cada 100 mil habitantes, segundo dados do governo federal, e as mortes, a 46,2 para cada 100 mil pessoas.

No Sudeste, essa mortalidade é, por ora, de 25,7 para cada 100 mil; e no Nordeste, de 27,4. No Centro-Oeste, são 6,3 mortes por grupo de 100 mil, e no Sul, 3,6. A taxa dos EUA, para comparação, é de 38 mortes por 100 mil habitantes, e a da Argentina, de 2,2.

O governo federal deixou de informar os dados dos mortos por sexo, idade e raça. Mas, até quando o fez, no mês passado, morriam mais homens do que mulheres; mais sexagenários e septuagenários do que pessoas em outras faixas etárias; e tantos negros quanto brancos —a raça de 29% das vítimas, contudo, era ignorada.

A letalidade da doença vinha avançando mais rapidamente entre negros do que entre brancos e entre pessoas de menor renda do que entre aquelas mais ricas, estrato primeiro atingido, por fazer viagens internacionais.

Observou-se, na cidade de São Paulo, que a subnotificação de casos tende a ser maior em regiões mais pobres, onde se alastra a suspeita da doença sem a certificação dos testes.

O Brasil, aliás, ainda testa muito pouco para Covid-19. Até o último dia 10, segundo o Ministério da Saúde, 632 mil exames sorológicos foram feitos na rede pública, ou 3 para cada 1.000 habitantes Os EUA, em igual período, haviam testado parcela 22 vezes maior.

O país também carece de política pública coordenada para enfrentar a doença. Com duas trocas de ministro da Saúde durante a pandemia —saíram o bem avaliado Luiz Henrique Mandetta e o breve Nelson Teich, para dar lugar a um interino, o general Eduardo Pazuello— não há estratégia federal de combate ao coronavírus, e o discurso do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) frequentemente se choca com o de governadores e prefeitos.

Na noite deste sábado, Mandetta lamentou a marca de 50 mil mortes, via Twitter. Ele escreveu que reza pelo país, seu "ex-paciente". Ele concluiu a breve mensagem dizendo que "governos passam".

O ex-ministro da Justiça Sergio Moro compartilhou a mensagem do antigo colega. "Cuidem-se. Lembro que já tivemos ministro da Saúde."

Outro que se manifestou na rede social foi o deputado federal Paulo Teixeira (PT), que afirmou, ainda, que "devemos reverter a abertura precipitada".

Por sua vez, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), filho 03 de Bolsonaro e deputado federal mais votado de São Paulo, estado com maior número de mortes, foi ao Twitter divulgar a inauguração de uma pista de skate em São Bernardo do Campo, "ex-terra de Lula".

Sem parâmetros para traçar política pública contra a doença nem diretrizes sobre a recomendação de isolamento social enquanto perdurar a ascensão dos casos, assiste-se hoje a uma trôpega tentativa de reabrir o comércio na maior parte dos estados, arriscando o repique da doença antes mesmo da estabilidade. Escolas, por sua vez, estão há três meses fechadas.

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