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Professor e Doutor Janduí Escarião explica como entender a Covid -19 sem pânico

Janduí é professor da faculdade de Murialdo em Caxias do Sul - SC e em seu artigo traz orientações sobre a prevenção da doença

14/05/2020 15h36
Por: Sidney Silva
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O professor da Faculdade Murialdo, em Caxias do Sul - RS Dr. Janduí Escarião da Nóbrega Júnior, natural de Santa Luzia PB, relata de forma científica a origem do Coronavírus e as mutações do mesmo. No decorrer da explicação, ele ainda destaca os motivos para você não entrar em pânico neste momento. Confira:

 Pela Ordem Nidovirales, 3 gêneros são classificados: o Arteriviridae, o Coronaviridae e o Roniviridae. O Gênero Coronavírus membro do Coronaviridae que pode afetar várias espécies causando diversas doenças [Coronavírus da bronquite infecciosa das aves (IBV), Coronavírus dos perus (TCoV), coronavírus da gastrenterite transmissível dos suínos (TGEV), Coronavírus felino (FeCoV), Vírus da peritonite infecciosa felina (FIPV), Coronavírus canino (CCoV), Coronavírus bovino (BCoV), Coronavírus humano (HuCoV) e o mais falado, vírus da pneumonia asiática (SarsCoV – humano) e a COVID-19]. O Ministério da Saúde relata outros coronavírus que infectam humanos o alpha coronavírus 229E, o NL63 e o beta coronavírus, OC43 e o HKU1.

 

O coronavírus, a exemplo de outros vírus RNA, pode sofrer mutações no genoma. Esse é o perigo, pois um tipo viral não patogênico para uma espécie pode ser patogênico para outra. A COVID-19 pode causar de 15-20% dos resfriados comuns que afetam a população e, os surtos ocorrem principalmente no inverno. Os sintomas de febre, dor de cabeça e garganta, descarga nasal, tosse não produtiva são relatados em pacientes. A precaução deve ser redobrada em infectados, porque estão suscetíveis à novas reinfecções.

 

Os coronavírus humanos foram isolados em 1937, mas somente em 1965 o vírus foi descrito como coronavírus, que na microscopia eletrônica apresenta forma de coroa. Em novembro de 2002 foi diagnosticada na China uma doença que logo ganhou status de Novo Coronavírus Humano. Identificado como SARS-CoV, altamente patogênico isolado de pacientes com diagnóstico de Doença Respiratória Severa e Aguda, ou algumas vezes chamada Pneumonia Asiática ou simplesmente SARS “severe acute respiratory disease”, protótipo da COVID-19.

 

Naquele ano, a epidemia foi disseminada pela Ásia, Europa chegando até o Canadá e, não teve tanta notoriedade como agora em 2020. FLORES, E. (2007) no livro Virologia Veterinária, editado pela UFSM, relata que mais de 8000 pessoas foram infectadas e chegaram ao óbito mais de 700 pacientes. Além disso, o último caso foi em abril de 2004, contudo o vírus associado não foi igual aos tipos virais conhecidos de coronavírus, sendo sugerida possível mutação. Os estudos epidemiológicos e moleculares demonstraram que o vírus teve origem em um animal silvestre.

 

Recentemente, em 2019, um coronavírus foi identificado em morcegos, com grande homologia com o SARS e novamente na China, emerge a COVID-19, sugerindo que a origem pode ser da mutação do vírus, ganhando força e disseminado rapidamente do oriente até todo ocidente, seguindo da Ásia para Europa e agora América. Aqui, no Brasil, os surtos isolados formaram uma epidemia, culminando em pandemia global confirmada após o Carnaval em 2020.

 

É preciso não ter pânico, primeiro é necessário conhecer para depois controlar, todos estão sujeitos a contrair a COVID-19, mas nem todos que são expostos poderão adoecer. Pessoas imunodeprimidas, neonatos, senís e grávidas, pacientes que fazem rádio ou quimioterapia estão imunossuscetíveis e em risco. A pessoa suspeita ou infectada deve procurar IMEDIATAMENTE o serviço de saúde, para isto os meios eletrônicos são mais favoráveis para controlar a infecção. O celular e aplicativos por internet ajudam orientar e realizar a conduta e procedimentos preconizados pelo Ministério da Saúde. NÃO FAÇA AUTOMEDICAÇÃO e não deixe de procurar ajuda aos primeiros sinais. Se o indivíduo for contaminado, após a contaminação ou período de incubação, o tempo entre a infecção e os primeiros sintomas é de 2-14 dias.

 

Como o reservatório para o agente da COVID-19 é desconhecido, é sensato evitar contato com animais nesse tempo. Segundo o Ministério da Saúde os principais sintomas são febre, tosse e dificuldade para respirar. Nessa condição, uma pessoa contaminada pode contaminar várias no mesmo ambiente. Daí a necessidade do isolamento. A transmissão ocorre pelo ar com o vírus em suspensão, contato direto, a saliva, gotas do espirro, catarro ou superfície contaminada são as mais importantes vias. A porta de entrada ocorre pelo contado do vírus na boca, nariz ou olhos. Sendo portando imperiosa a limpeza das mãos, que ao mesmo tempo evita autocontaminação e transmissão. A confirmação do diagnóstico ocorre após a coleta do escarro e encaminhamento ao Laboratório Central de Saúde Pública (LACEN), ou Centro Nacional de Influenza (NIC) para exame molecular e identificação do RNA viral. Nesse tempo, o paciente é mantido sob isolamento, quarentena e tratamento de suporte.

 

A aflição não deve fazer parte em momento algum diante de uma infecção ou suspeita. Embora o contágio seja alto a mortalidade não é proporcional, mas deve haver o empenho de todos para evitar a disseminação da COVID-19. As medidas para o controle da disseminação são simples, higiene básica e atitudes como lavar as mãos com água detergente e escova, secar com toalha de papel, usar álcool gel, evitar tocar nos olhos, evitar cumprimentos com as mãos, afagos com nariz e boca, trocar roupas na volta para casa, limpar e desinfetar objetos de superfícies de uso frequente, ilustram bem a forma de evitar o contagio.

 

O escopo para o controle são as medidas profiláticas, evitar tráfego em ruas ou ambientes, evitar aglomeração, uso de luvas e máscara e hábitos de higiene individual e coletiva, empregar quarentena ou isolamento favorece diminuição do contagio. Em conclusão, a prevenção da COVID-19 deve ser conjunta e todos devem contribuir para não disseminar o vírus. Para COVID-19 tenha controle, não tenha pânico.

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